FÓRUM DA LIBERDADE: QUAIS OS LIMITES DA TOLERÂNCIA?

“As várias frentes contra a liberdade de expressão”

Na primeira palestra do 35º Fórum da Liberdade, realizada na Associação Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre, o doutor em Filosofia e mestre em Ciências Políticas Fernando Schüler e o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé lembraram que o cerceamento à liberdade de expressão ocorre, simultaneamente, em várias frentes. Conforme Pondé, está posto desde o marketing, que tem no otimismo a única virtude cívica válida, até a gestão das marcas (ou o branding), que ameaça punir as vozes discordantes com a perda de patrocínios e visibilidade.

“Há várias ameaças à discordância, que não estão apenas no STF (Supremo Tribunal Federal)”, sublinhou Pondé. “Isso amplia o desafio de se avançar na resolução de problemas reais contemplando a discordância nas discussões”, afirmou.

Schüler alertou que, após séculos de avanço nas práticas e nas regras em prol da liberdade de expressão, agora se vê um movimento na mão inversa. O protagonismo das redes sociais para eliminar ou censurar informações que avaliam ser inverídicas (as fake news) é um claro exemplo. Além disso, ele critica a postura do STF de tolher ideias ou até políticas públicas que considere inadequadas.

“As restrições à liberdade de expressão são resultados diretos da cultura de intolerância”, afirmou Schüler. “Essa discussão é tão antiga como a prensa de Gutenberg e agora ganhou força no debate público”, complementou. Para ele, um caminho para superar a intolerância é incentivar a pluralidade das redes sociais – e deixar que o próprio público coloque a lupa sobre o que deve ou não acreditar.

Crédito das fotos: Talles Kunzler

Nas fotos: Luiz Felipe Pondé, Gabriel Torres e Fernando Schüler


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