FÓRUM DA LIBERDADE: ENTREGA DOS PRÊMIOS LIBERDADE DE IMPRENSA E LIBERTAS

“A capacidade de construir confiança é que promove a liberdade”

Ao fazer discurso de abertura do 35ª Fórum da Liberdade, o presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Gabriel Picavêa Torres, mencionou a atipicidade da intolerância no Brasil – que tem levado ao cerceamento à liberdade de expressão. Lembrou que a cordialidade do brasileiro foi até recentemente uma marca civilizatória. “São tempos e hábitos que vêm cedendo espaço a debates cada vez mais virulentos, à confusão entre firmeza de convicções e grosserias”, afirmou.

A hipótese levantada por Torres é que, por trás da intolerância, está a falta de confiança. “Temos nos especializado há anos em estimular a desconfiança entre nós. Desconfiamos das pessoas com que nos relacionamos, com quem trabalhamos e com quem convivemos”. O problema, afirmou Torres, é que a capacidade de alavancar e construir a confiança é que promove a liberdade. Ou seja, se confiamos, há menos burocracia, menos necessidade de mecanismos de controle, mais tempo para aproveitar e produzir, mais prosperidade e, portanto, mais felicidade.

“A sociedade livre e aberta que queremos começa com o exemplo que cada um de nós dá em sua família, seu grupo de amigos e sua empresa. Se queremos inspirar a confiança para que as pessoas se sintam à vontade para dizer o que pensam, devemos começar confiando em dividir com elas o que pensamos”, afirmou.

Como já é tradicional, o Fórum da Liberdade entregou distinções para personalidades que se destacam na defesa das liberdades. O Prêmio Liberdade de Imprensa, destinado a profissionais que desenvolvem o pensamento crítico e defendem e valorizam a liberdade de imprensa, foi entregue ao jornalista e escritor brasileiro Leandro Narloch.

Ao receber o troféu, Narloch falou sobre a importância da liberdade de expressão para a defesa das minorias e o desenvolvimento de políticas públicas. Para ele, um ambiente de intolerância prejudica justamente grupos que já sofrem com discriminação. “Hoje, nas universidades, é tão perigoso desrespeitar certos padrões que não há espaço para testar ideias e projetos novos”, afirmou. “Isso inibe inclusive o estudo de políticas públicas com novas visões que poderiam contribuir para a igualdade”, argumentou.

Atualmente, Narloch é colunista da Folha de S. Paulo, autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil e do Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira, entre outros livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares desde 2009.

Já o Prêmio Libertas – um reconhecimento à defesa dos princípios da economia de mercado e do respeito ao Estado de Direito democrático – foi entregue a Alexandre Ostrowiecki. Ele é CEO da Multilaser, uma das maiores empresas de eletroeletrônicos do Brasil, fundador do Ranking dos Políticos e diretor-presidente da escola filantrópica Alef Peretz. É coautor do livro Carregando o Elefante e autor do recém-lançado O Moedor de Pobres. Criado em 1997.

Em seu discurso, Ostrowiecki também reforçou a essencialidade da liberdade para a democracia, o vigor das instituições e a prosperidade dos seres humanos. “A riqueza tem que ser produzida por pessoas livres”, resumiu, destacando como ideias como o livre mercado e a liberdade de expressão contribuíram, ao longo da história, para o desenvolvimento das populações.

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