FÓRUM DA LIBERDADE: AUTORITARISMO E LIBERDADE DE EXPRESSÃO

“A liberdade de expressão reprimida”

O segundo painel da 35ª edição do Fórum da Liberdade foi o “Autoritarismo e Liberdade de Expressão”. Participaram da discussão Roberto Salinas, presidente do Fórum Empresarial do México, Tom Palmer, vice-presidente de Programas Internacionais da Atlas Network, e Paulo Roberto de Almeida, doutor em Ciências Sociais, mestre em Planejamento Econômico e diplomata.

O comunicador Luciano Potter abriu o painel com o questionamento central do debate, a respeito da liberdade de pensamento e expressão das opiniões. “O direito de discordar, de divergir, está consagrado em atos internacionais vigentes. O problema é que as declarações não são compulsórias, não têm o estatuto de um tratado que os países devem cumprir. Muitos países que assinaram tratados não permitem liberdade de religião ou opinião. Na América, temos uma longa história de repressão. Mesmo onde não há uma ditadura de fato, déspotas que subiram pelas eleições depois deformaram o sistema democrático. É um caminho que não é o antigo tradicional golpe de estado militar, mas da erosão da democracia”, ponderou Paulo Roberto de Almeida.

Tom Palmer observou diferentes tipos de governos que reprimem a liberdade de expressão. “É preciso fazer uma distinção entre autoritarismo e totalitarismo. O autoritarismo suprime, mas tipicamente permite algum tipo de conversa nas margens. Depois, eles se movem a um Estado totalitário, em que toda instituição precisa seguir a linha do partido governante. A mídia independente é vista como inimiga do povo, da nação. Há o conceito de relativismo pós-moderno, não há distinção entre verdade e mentira, apenas alegações”.
Para Roberto Salinas, a capacidade de diálogo e discordância cria a possibilidade de evolução na sociedade.

“Sem um senso de propósito, sem um senso de unidade, há risco de vermos o tipo de relativismo que Tom Palmer estava falando, podemos ver o crescimento de políticos autoritários. Isso cria um sentimento de nós contra eles, o sentimento de que quem discorda do governo é inimigo da nação. Se você diz algo contra o partido governante, você não apenas está falando algo falso, você está traindo a nação. Não há possibilidade de conversa, de dissidência, de discordância, de falar com o outro, o que requer um senso de diálogo, termo que vem de dialética, uma conversação que eleva o intelecto para outro nível através da discordância”.

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